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domingo, 29 de novembro de 2020

Denotação e conotação

A língua portuguesa permite que seu falante se expresse sendo literal e usando as palavras em seus sentidos comuns, ou sendo criativo e expandindo o horizonte de significado das palavras. O importante para a língua é que a mensagem criada seja entendida por seus receptores. Esse processo de comunicação pode utilizar a denotação, o sentido literal das palavras, ou a conotação, o sentido figurado.

Denotação

Palavras ou textos que estão empregados em seus significados habituais, normalmente os encontrados nos dicionários. Esse tipo de significado é chamado de denotativo. Normalmente, a linguagem denotativa é usada para informar de forma objetiva, direta e clara. Exemplos de lugares onde podemos encontrar a linguagem empregada denotativamente são os textos científicos, jornalísticos e instrutivos. Vale ressaltar que uma palavra pode ter mais de um significado sem que nenhum deles fuja do sentido literal. Veja exemplos abaixo:

  • Eu odeio suco de laranja. (Fruta)
  • Minha camisa é laranja. (Cor)

Conotação

A linguagem conotativa é utilizada quando o significado de uma palavra, frase ou texto é empregado de forma figurada, circunstancial, ou seja, não carrega, naquele contexto, o seu sentido comum. Os significados conotativos de uma palavra não são encontrados em um dicionário, isso porque dependem de interpretação, que pode diferir conforme o receptor da mensagem. Esse tipo de linguagem normalmente é empregado em textos mais criativos, poéticos e emocionais, pois o principal objetivo de seu uso é provocar sentimentos e sensações.

A linguagem conotativa é muito mais recorrente do que parece. Em nosso dia a dia, usamos, ouvimos ou vemos palavras, frases ou até mesmo imagens com sentido figurado. Seja em anúncios, expressões ou ditados populares, poesias, literatura e músicas, a conotação está sempre presente. Confira alguns exemplos:

  • Ele é o laranja da empresa. (Indivíduo envolvido em transações ilícitas)
  • Seu sucesso é enorme, já pode ser considerada uma estrela. (Pessoa que se destaca tanto quanto uma estrela na escuridão do céu)
  • Não vou com vocês nem que a vaca tussa. (Expressão que reforça uma negação)

Disponível em: <https://www.gramatica.net.br/denotacao-e-conotacao>. Acesso em: 16 abr. 2020.

sábado, 11 de julho de 2020

domingo, 5 de julho de 2020

O verdadeiro papel da escola


“No dizer do renomado educador português António Nóvoa, [...] ‘as teorias dominantes na escola do século XXI são ainda aquelas do século XX’.

Não adianta a criança passar oito ou nove horas na escola todos os dias e não aprender. Para que haja aprendizagem, é preciso que a escola atenda aos padrões mínimos de qualidade de ensino assegurados pela LDB (Lei 9.394/96), Artigo 4º, Inciso IX, que são ‘definidos como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem’.”

(O verdadeiro papel da escola [excertos]. In: QUEIROZ, Roberto de. Recortes do tempo. Maringá: Viseu, 2019. p. 53-54. Saiba mais em: https://www.editoraviseu.com.br/recortes-do-tempo-prod.html)

terça-feira, 30 de junho de 2020

Gênero textual “crônica”: breve exposição teórica



“[...] A crônica começou a ser moldada na alta Idade Média por uma perspectiva individual que lhe conferiu uma dimensão interpretativa e provavelmente estética. E, no século XIX, com o desenvolvimento da imprensa periódica, emergiu no sentido moderno. A princípio, era apenas uma pequena seção de abertura que dava conta das notícias e dos rumores do dia. Depois, especializou-se (crônica esportiva, musical, etc.) e expandiu-se pelo interior do periódico. Mais adiante, deslocou-se para o folhetim (seção do rodapé da primeira página de um periódico), lugar em que conquistou a colaboração de profissionais da área de letras e, consequentemente, um espaço entre jornalismo e ficção.”

(Artigo e crônica: breve distinção teórica [excertos]. In: QUEIROZ, Roberto de. Recortes do tempo. Maringá: Viseu, 2019. p. 11-16. Saiba mais em: https://www.amazon.com.br/Recortes-do-tempo-Roberto-Queiroz/dp/8530002350)

domingo, 28 de junho de 2020

Gênero textual “artigo”: breve exposição teórica


“O termo artigo, enquanto modalidade textual, designa basicamente dois gêneros: científico e opinativo. Artigo científico é o trabalho acadêmico de autoria declarada que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados sucintos de uma pesquisa realizada...

[...]

Artigo opinativo é um gênero textual jornalístico de matéria assinada, quase sempre composto de 30 ou 35 linhas, a depender do veículo em que é publicado. A assinatura identifica o responsável pela opinião expressa no artigo, que não necessariamente coincide com a opinião do veículo em que ele é publicado. O autor de um artigo opinativo normalmente é autoridade no assunto abordado ou é pessoa famosa cuja opinião sobre questões de grande repercussão interessa ao grande público.”

(Artigo e crônica: breve distinção teórica [excertos]. In: QUEIROZ, Roberto de. Recortes do tempo. Maringá: Viseu, 2019. p. 11-16. Saiba mais em: https://www.editoraviseu.com.br/recortes-do-tempo-prod.html)

terça-feira, 5 de maio de 2020

Texto literário: conceito, características e exemplos

Roberto de Queiroz


O que é texto literário?

O texto literário tem função predominantemente artística, mas também pode desempenhar funções sociais, culturais e críticas. Nessa forma de escrita, o autor valoriza a estética e prioriza o uso da linguagem conotativa. Para isso, ele recorre a uma série de recursos linguísticos e estilísticos que enriquecem a expressividade do texto, tornando-o complexo e afastando-o de interpretações literais.

Trata-se de uma forma de escrita aberta a múltiplos significados, permitindo interpretações distintas conforme o conhecimento prévio de cada leitor. Isso ocorre porque o autor de um texto literário não se limita à comunicação objetiva de fatos. Ele busca provocar reflexões, emoções e diferentes perspectivas no leitor.

Baseado na realidade, na ficção ou na mistura de ambas, o autor desse tipo de texto tem a liberdade de criar as próprias regras e universos, sem compromisso com a impessoalidade e a objetividade, podendo ou não priorizar a clareza das ideias. Ele pode enfatizar o significante, explorando os efeitos expressivos e semânticos das palavras.

Quanto à forma, o texto literário pode se apresentar por meio da escrita (em verso ou prosa) e também pode assumir formas híbridas, combinando escrita e ilustração, como ocorre na literatura infantil e nas histórias em quadrinhos.


Características do texto literário

1. Linguagem conotativa: prevalece a utilização da linguagem figurada.
2. Complexidade: uso articulado de recursos linguísticos e estilísticos.
3. Multissignificação: possibilidade de múltiplas interpretações.
4. Liberdade de criação: o autor pode estabelecer as próprias regras e universos.
5. Ênfase ao significante: exploração da expressividade e semântica das palavras.
6. Variação de forma: pode se apresentar em verso, prosa ou formas híbridas.


Exemplos de textos literários

Romance

Romance é um gênero textual narrativo, escrito em prosa, no qual é contada uma história imaginária ou inspirada na realidade. Distingue-se do conto pela maior extensão, complexidade e variedade das técnicas narrativas. Apresenta mais de um núcleo narrativo e vários conflitos que se desenvolvem ao longo da história principal.

Veja a seguir a passagem de um romance, retirada de uma obra de Milton Hatoum:

“Naquela época, quando Omar saiu do presídio, eu ainda o vi num fim de tarde.  Foi o nosso último encontro.

O aguaceiro era tão intenso que a cidade fechou suas portas e janelas bem antes do anoitecer.  Lembro-me de que estava ansioso naquela tarde de meio-céu. Eu acabara de dar minha primeira aula no liceu onde havia estudado e vim a pé para cá, sob a chuva, observando as valetas que dragavam o lixo, os leprosos amontoados, encolhidos debaixo dos oitizeiros.  Olhavam com assombro e tristeza a cidade que se mutilava e crescia ao mesmo tempo, afastada do porto e do rio, irreconciliável com o seu passado.”

HATOUM, Milton.  Dois Irmãos.  São Paulo:  Companhia das Letras, 2000. p. 264.

Conto
  
Conto é um gênero textual narrativo, escrito em prosa, no qual há o relato de um episódio fictício ou baseado em fatos. Diferencia-se do romance por ser mais curto, apresentar apenas um núcleo narrativo, poucas personagens e girar em torno de um único conflito.

Como exemplo, analise o excerto a seguir, retirado de um conto de Clarice Lispector:

“Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

Na rua vazia as pedras vibravam de calor – a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão.” 

LISPECTOR, Clarice. “Tentação”. In: ______. A legião estrangeira. São Paulo: Ática, 1977. p. 59-60.
   
Crônica

Crônica é um gênero textual que transita entre o jornalismo e a ficção. Nesse tipo de texto, geralmente predominam a narração e a descrição de eventos cotidianos, com uso frequente da linguagem coloquial e tom reflexivo ou bem-humorado.

A título de exemplo, leia este trecho da crônica iLua, de Antonio Prata, publicada no jornal Folha de S. Paulo, em 23/12/2018:

“A primeira palavra que eu falei foi lua. A primeira palavra que eu escrevi também. A primeira sugestão do Google quando você digita “how to photograph” é “how to photograph the moon” e a segunda é “how to photograph the moon with iPhone”. Curiosamente, contudo, quando você escreve “como fotografar a”, em português, a frase “como fotografar a lua” fica em segundo. Em primeiro surge “como fotografar a tela do Mac”. É, pensando bem, talvez Steve Jobs já tenha conquistado a Lua.”

Poema

Poema é um gênero textual organizado em versos. Pode ser composto por uma ou mais estrofes, apresentar forma fixa ou livre e conter rimas ou não.

Leia o exemplo abaixo, extraído de um livro do poeta Josivaldo Freire:

Vivo labor

Camponeses lavram a terra por mim.
 Lavradores e arados vigiam a retaguarda
 enquanto eu sinto uma fome sem fim
 e sacio tudo com um grão de mostarda.

Costureiras me vestem sem o saber.
Retalhos de tempo recortam o amanhã.
Tecelões pasmados tramam o fio sem ver
que no peito um fio de esperança é talismã.

Médicos enfaixam minha dor.
Meus cortes abertos gritam por ti.
Meu remédio é tua dose de candor
a suturar a ferida dentro de mim.

Ouço choro triste de um jardineiro,
suas lágrimas regam a raiz e a flor.
A flor da tua pele me faz prisioneiro
em solo em que adubo sementes de amor.

FREIRE, Josivaldo. “Vivo labor”. In: ______. Voo singular: poemas que elevam. Sirinhaém, PE: Gráfica e Editora Inovação, 2018. p. 16.

sábado, 11 de abril de 2020

Figuras de som

Roberto de Queiroz

Figuras de som (ou de harmonia) são figuras de linguagem[1] associadas à logicidade do texto por meio da repetição de sons idênticos ou semelhantes.

Seguem relacionadas as principais figuras de som.

1. Aliteração – Figura de linguagem formada pela repetição de sons consonantais idênticos ou semelhantes, geralmente no início de palavras próximas em uma frase ou verso, com o intuito de gerar efeito estilístico.

Exemplo:

“Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança”
(Castro Alves)

Nesse excerto, a repetição do som consonantal representado pela letra “b”, no início das palavras do segundo verso, gera aliteração.

2. Assonância – Figura de linguagem constituída pela repetição de sons vocálicos em palavras próximas ou no final de versos, especialmente em sílabas tônicas, com a finalidade de acelerar o ritmo do poema.

Exemplo:

“Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos”
(Chico Buarque)

No trecho em análise, a assonância é gerada por maio da repetição do encontro vocálico “ei” no interior e no final dos versos.

3. Paronomásia – Figura de linguagem que reside na disposição de palavras parônimas próximas umas das outras. Esse fenômeno é conhecido popularmente como trocadilho.

Exemplo:

“Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs”
(Almir Sater e Renato Teixeira)

Nesses versos, ocorre paronomásia entre os pares de palavras “manhas/manhãs” e “massas/maçãs”.

4. Onomatopeia – Figura de linguagem que consiste na tentativa de reproduzir sons e barulhos por meio da escrita. Normalmente é usada nas histórias em quadrinhos, mas às vezes é usada em outros gêneros textuais.

Exemplo:

“E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano.” (Machado de Assis)

No período acima, o uso do termo “plic-plic-plic-plic” configura onomatopeia, pois é uma tentativa de reproduzir o som emitido pela agulha ao perfurar o pano.


[1] Figuras de linguagem são recursos linguísticos que exploram a sonoridade, o significado, a estrutura e a disposição das palavras na frase.


terça-feira, 7 de abril de 2020

Português não é para amador


Um poeta escreveu: “Entre ‘doidos’ e ‘doídos’, prefiro não acentuar.” Às vezes, não acentuar parece mesmo a solução. Eu, por exemplo, prefiro a “carne” ao “carnê”. Assim como, obviamente, prefiro o “coco” ao “cocô”. No entanto, nem sempre a ausência do acento é favorável... Pense no “cágado”, por exemplo, o ser vivo mais afetado quando alguém pensa que o acento é mera decoração. E há outros casos, claro! Eu não me “medico”, eu vou ao “médico”. Quem “baba” não é a “babá”. Você precisa ir à “secretaria” para falar com a “secretária”. Será que a “romã” é de “Roma”? Seus “pais” vêm do mesmo “país”? A diferença na palavra é um “acento”; “assento” não tem “acento”. “Assento” é embaixo, “acento” é em cima. “Embaixo” é junto e “em cima” é separado. Seria “maio” o mês mais apropriado para colocar um “maiô”? Quem sabe mais entre a “sábia” e o “sabiá”? O que tem a “pele” do “Pelé”? O que há em comum entre o “camelo” e o “camelô”? O que será que a “fábrica” “fabrica”? E tudo que se “musica” vira “música”? Será melhor lidar com as adversidades da conjunção “mas” ou com as “más” pessoas? Será que tudo que eu “valido” se torna “válido”? E entre o “amem” e o “amém”, que tal os dois? Na “sexta” comprei uma “cesta” logo após a “sesta”. É a primeira “vez” que tu não o “vês”. Vão “tachar” de ladrão se “taxar” muito alto a “taxa” da “tacha”. “Asso” um “cervo” na panela de “aço” que será servido pelo “servo”. Vão “cassar” o direito de “caçar” de dois “pais” no meu “país”. “Por tanto” nevoeiro, “portanto”, a “cerração” impediu a “serração”. Para começar o “concerto” tiveram que fazer um “conserto”. Ao “empossar”, permitiu-se à esposa “empoçar” o palanque de lágrimas. Uma mulher “vivida” é sempre mais “vívida”, “profetiza” a “profetisa”. “Calça”, você “bota”; “bota”, você “calça”. “Oxítona” é “proparoxítona”. Na dúvida, com um pouquinho de contexto, garanto que o “público” entenda aquilo que “publico”. E paro por aqui, pois esta lista já está longa. Realmente, “português” não é para amador! Se você foi capaz de ENTENDER TUDO, parabéns! Seu “português” está muito bom!

(Desconheço a Autoria)

Excelente texto para se trabalhar acentuação gráfica, homonímia e paronímia.

terça-feira, 31 de março de 2020

E-book de Recortes do Tempo na Rakuten Kobo


O e-book da obra Recortes do Tempo, de Roberto de Queiroz, está disponível na Rakuten Kobo. Para comprar ou ler uma amostra grátis, basta clicar neste link.

https://www.kobo.com/br/pt/ebook/recortes-do-tempo

segunda-feira, 30 de março de 2020