Blog de Roberto de Queiroz
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quinta-feira, 15 de outubro de 2026
O papel social do professor: entre responsabilidades e desafios
sábado, 23 de maio de 2026
Projeto Didático: “A poesia de autores locais como caminho para o letramento literário”
Público-alvo: Turma do 5º ano do Ensino Fundamental
Área de Conhecimento: Língua Portuguesa
1. Justificativa
2.1. Objetivo geral
- Desenvolver práticas de leitura, oralidade e escrita por meio de poemas de autores locais, promovendo o letramento literário e a valorização da cultura do município.
- Ler e interpretar poemas de autores locais, reconhecendo temas, sentimentos e características da linguagem poética.
- Desenvolver a oralidade por meio da declamação de poemas, utilizando entonação, ritmo e expressividade adequados.
- Produzir poemas autorais, explorando rimas, sonoridade, criatividade e recursos poéticos.
3. Objetos de conhecimento e habilidades do Currículo Referência do Ipojuca
Objetos de conhecimento |
Habilidades |
Relação com os objetivos específicos deste projeto |
|---|---|---|
Formação do leitor literário |
(EF35LP21PE-IP) Ler, de forma autônoma, poemas de autores locais, comentando-os e estabelecendo preferências por temas e autores. |
1º objetivo específico |
Oralidade / Declamação |
(EF35LP28PE-IP) Declamar poemas de autores representativos e vivos na cultura local, com entonação, postura e interpretação adequadas. |
2º objetivo específico |
Escrita autônoma |
(EF35LP27PE-IP) Ler e escrever, com certa autonomia, textos em versos de escritores locais, explorando rimas, sons, jogos de palavras, imagens poéticas e recursos visuais e sonoros. |
3º objetivo específico |
4. Metas e ações
4.1. Metas
- Ampliar o engajamento e o interesse dos estudantes pela leitura e escrita literária ao longo do bimestre.
- Elevar os níveis de proficiência nas atividades diagnósticas de leitura, interpretação e produção de textos em versos.
- Assegurar contato direto de 100% dos estudantes com produções literárias de escritores locais.
- Fomentar a participação ativa dos estudantes em práticas de oralidade e apresentações públicas na escola.
4.2.1. Ações do professor e coordenação
- Selecionar livros de poemas de autores locais.
- Organizar o espaço físico do “Cantinho da Leitura Literária”.
- Construir um mural temático para exposição pedagógica.
- Planejar oficinas sequenciais de leitura, interpretação e escrita.
- Articular o convite a um poeta local para roda de conversa e recital.
- Organizar e coordenar o sarau poético como evento de culminância.
- Monitorar, mediar e avaliar o desenvolvimento processual do projeto.
- Ler e analisar criticamente poemas de autores locais.
- Interpretar, debater e registrar impressões sobre os textos.
- Integrar ativamente as rodas de leitura compartilhada.
- Praticar e executar técnicas de declamação poética.
- Escrever e declamar poemas de autoria própria.
- Ilustrar, revisar e socializar as produções escritas no mural.
- Fase de sensibilização: Os estudantes terão contato inicial com poemas de autores locais por meio de múltiplos suportes, como livros físicos, vídeos e registros de áudio. Em seguida, serão realizados debates voltados à leitura, interpretação e apreciação estética das obras.
- Fase de oficinas: Serão desenvolvidas atividades práticas de escrita criativa e declamação, explorando elementos estruturais do gênero, como rimas, versificação, estrofação, musicalidade e recursos expressivos da linguagem oral.
- Fase de culminância: O percurso didático será finalizado com a realização de um sarau poético, permitindo que os alunos socializem e apresentem suas produções autorais e leituras interpretativas para a comunidade escolar.
- Livros de poemas do acervo do professor.
- Cartolinas e papelaria para cartazes.
- Caixa de som amplificada.
- Projetor multimídia (datashow).
- Materiais de uso individual (caderno, lápis, canetas).
- Recursos multimídia (vídeos e áudios de poemas).
- Painel físico para exposição das produções.
7. Cronograma
Período estimado: 13 de abril a 20 de maio de 2026 |
|
|---|---|
Etapas do percurso didático |
Período estimado |
Apresentação do projeto e leitura inicial de poemas de autores locais |
09 de abril a 15 de abril |
Oficinas de interpretação textual e rodas de conversa temática |
16 de abril a 22 de abril |
Oficinas práticas de declamação poética, ritmo e expressividade |
23 de abril a 29 de abril |
Oficinas de produção textual e escrita de poemas autorais |
30 de abril a 06 de maio |
Revisão mediada, reescrita e organização final das produções |
07 de maio a 13 de maio |
Ensaio geral e realização do sarau poético (Culminância) |
14 de maio a 20 de maio |
8. Avaliação
A avaliação ocorrerá de forma contínua, formativa e processual, com foco na evolução do estudante ao longo das seguintes dimensões:
- Participação e engajamento nas dinâmicas coletivas propostas.
- Interesse e postura investigativa durante os momentos de leitura.
- Capacidade de interpretação e inferência de sentidos nos poemas analisados.
- Expressão oral, postura e uso de recursos rítmicos nas declamações.
- Criatividade, originalidade e autoria nas produções escritas.
- Aplicação adequada de recursos poéticos estudados (rimas, metáforas, sonoridade).
- Desenvolvimento progressivo da autonomia nas práticas de leitura e escrita literária.
9. Culminância
- Público-alvo: Familiares dos estudantes, demais turmas da escola, equipe gestora e poetas locais convidados.
- Dinâmica: Abertura realizada pelo professor e pela coordenação, seguida por blocos de declamações individuais e coletivas dos estudantes do 5º ano.
- Socialização: Exposição das obras utilizadas no projeto, entrega de fanzines (livretos) com as produções autorais dos alunos aos convidados e exposição dos poemas ilustrados no mural da turma.
FATIMA, Antonia de. Comendo poesia. Sirinhaém/PE: Gráfica e Editora Inovação, 2018.
FREIRE, Josivaldo. Voo singular: poemas que elevam. Sirinhaém/PE: Gráfica e Editora Inovação, 2018.
QUEIROZ, Roberto de. Meus versos livres e soltos. Recife/PE: Edição do Autor, 1997.
QUEIROZ, Roberto de. A nudez de escrever. Curitiba/PR: Protexto, 2016.
domingo, 3 de agosto de 2025
A centralidade da escrita na história da linguagem humana
Roberto de Queiroz
A escrita tem papel central na história da linguagem humana, funcionando como um meio de registro e transmissão de ideias. Ao longo dos séculos, assumiu formas variadas, moldadas pelos contextos históricos, sociais e culturais de cada época, tornando-se um marco civilizatório na evolução da humanidade. Ela permite a materialização e a circulação de conhecimentos entre diferentes gerações e culturas. Compreender sua importância pressupõe uma análise de sua trajetória, desde os sistemas primitivos até as convenções contemporâneas.
Antes da consolidação efetiva dos sistemas de escrita como prática social mais ampla, especialmente entre as camadas populares, a comunicação se dava predominantemente pela fala. Durante a transição da Alta para a Baixa Idade Média, a escrita já era usada, mas ainda restrita aos círculos letrados, como o clero e a administração pública. No caso da língua portuguesa, com o surgimento do período etimológico, a partir do século XVI, as palavras passaram a ser grafadas com base em sua origem, embora essa grafia nem sempre refletisse a pronúncia popular. Em 1904, com o início do período simplificado, buscou-se aproximar a escrita da fala, visando maior uniformidade entre a grafia e a pronúncia. Somente em 1907 surgiu o primeiro sistema ortográfico normativo, que, apesar de seu valor, ainda apresentava diversas inconsistências.
O percurso histórico mencionado anteriormente evidencia a importância do código escrito para compreender as transformações no registro ortográfico de uma língua específica. O processo evolutivo da palavra cor ilustra brevemente esse percurso. Influenciada pela forma acusativa latina colorem, essa palavra evoluiu de grafias intermediárias, como color e coor, até alcançar a forma atual. A escrita, portanto, revela pistas concretas sobre os caminhos trilhados pela língua ao longo da evolução linguística humana. Entender isso é perceber como os povos estruturam e comunicam seus valores.
Como sistema de representação, a escrita revela de que maneira uma sociedade organiza o pensamento, compartilha experiências e atribui significados ao mundo circundante. Esse caráter revelador está intimamente relacionado aos estudos linguísticos, que analisam a linguagem humana em seus contextos diacrônico (histórico) e sincrônico (atual). Tal abordagem linguística dialoga com outras áreas do conhecimento, como filosofia, sociologia, pedagogia e psicologia, que auxiliam na compreensão dos contextos culturais, sociais e cognitivos nos quais as transformações da língua ocorrem.
Esse entendimento deve se refletir na prática educacional, especialmente no ensino de língua materna. Sob essa ótica, pode-se argumentar que o ensino de língua materna deve transcender as normas de ortografia e gramática. Ou seja, também deve proporcionar aos estudantes um contato íntimo e contextualizado com diferentes gêneros textuais produzidos no idioma nativo deles. Desse modo, eles não só aprimoram suas habilidades de escrita, como também desenvolvem a capacidade de expressar ideias com clareza, interpretar criticamente os textos que leem e exercer uma cidadania mais consciente.
Em suma, refletir sobre a trajetória da escrita é reconhecer o papel fundamental que ela exerce na construção da linguagem, da cultura e da experiência humana. Ao transitar por registros históricos, épocas e saberes, a escrita se revela como algo que vai além de uma simples técnica. Ela é uma manifestação significativa da vida em sociedade e desempenha um papel essencial no desenvolvimento crítico e reflexivo das pessoas, sobretudo no contexto educacional.
sábado, 5 de abril de 2025
A polarização de opiniões nas redes sociais
sábado, 8 de fevereiro de 2025
O conhecimento prévio na leitura
Roberto de Queiroz
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sábado, 11 de janeiro de 2025
Alfabetização e letramento na era digital
Roberto de Queiroz
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terça-feira, 24 de dezembro de 2024
A origem do Natal
Roberto de Queiroz
O Natal é celebrado todos os anos para marcar o aniversário do nascimento de Jesus. A Igreja Católica celebra a data em 25 de dezembro; e a Igreja Ortodoxa, em 7 de janeiro. Porém essas não são as datas prováveis do nascimento de Cristo. Quando Ele nasceu, “havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos” (Lucas 2:8, NVI). “Isso nunca aconteceu na Judeia durante o mês de dezembro: os pastores tiravam seus rebanhos dos campos em meados de outubro e os abrigavam para protegê-los do inverno que se aproximava, tempo frio e chuvas” (Clarke’s Commentary, 1977, p. 370).
A celebração do Natal não estava entre as primeiras festividades da Igreja Católica. Os primeiros indícios dessa festa vêm do Egito. Naquele país, os costumes pagãos relacionados ao início do ano foram concentrados na celebração do Natal. Além disso, de acordo com Orígenes, um dos chamados pais da Igreja, não se encontra nas Escrituras ninguém que tenha realizado uma festa ou um grande banquete em seu aniversário. Somente os pecadores – como Faraó e Herodes – comemoravam com muita alegria o dia em que nasceram neste mundo (Enciclopédia Católica Popular, 2005).
No século III d.C., com o objetivo de promover a conversão dos povos pagãos sob o domínio de Roma, a Igreja Católica adaptou a data da celebração do Natal. A fim de que essa data coincidisse com uma festividade romana dedicada ao nascimento do Deus Sol, no solstício de inverno, foi adotado o dia 25 de dezembro. E, ao longo do tempo, o Natal passou a envolver costumes – hoje modernizados – que incluem troca de presentes e cartões, ceia de Natal, músicas natalinas, festas de igreja, refeição especial e exibição de decorações diferentes, incluindo árvores de Natal, pisca-piscas, guirlandas, viscos, presépios e pingentes de gelo.
O Papai Noel é uma figura mitológica, popular em muitos países e associada aos presentes infantis. A troca de presentes e muitos outros aspectos das festividades natalinas provocam um aumento nas atividades econômicas dos países que as realizam. Em resumo, o Natal – cuja origem vem da implantação inteligente de estratégias de marketing da diretoria da recém-organizada Igreja Católica do século III d.C., a qual pegou carona em um festival pagão – tornou-se um dos períodos-chave de vendas para empresas e varejistas. O impacto econômico da época é um fator que tem crescido de forma constante nos últimos séculos em regiões diferentes do mundo.
(Artigo publicado no jornal Diario de Pernambuco, em 27/12/2013, Opinião, p. B7; e no jornal Folha de Pernambuco, em 24/12/2024, Opinião, p. 14, com revisão do autor).




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