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sábado, 23 de novembro de 2024

Os malefícios das garrafas long neck

Roberto de Queiroz

Estudos mostram que as garrafas de vidro long neck (ou one way) são feitas de um material que leva cerca de 5.000 anos para se decompor, não são reutilizáveis e, obviamente, vão parar no lixo. Essas garrafas têm um impacto no solo catorze vezes superior ao das latas de 710ml, consomem quatro vezes mais água e têm uma pegada de carbono nove vezes superior à das latas em citação.

Além dos malefícios ambientais listados acima, as garrafas long neck são responsáveis por vários outros: elas se quebram facilmente e, se forem descartadas de forma incorreta, podem ferir pessoas; geram um volume enorme de resíduos, o que constitui um problema para as cooperativas; entre outras coisas. Em suma, elas não têm nenhuma utilidade para quem quer apenas beber uma cerveja gelada.

Mas por que as garrafas long neck não são retornáveis? Porque a indústria do vidro modificou a composição química dessas garrafas para que elas pudessem competir com as latas de alumínio. Todavia, o resultado compromete a resistência das garrafas em questão, fazendo com que elas não possam ser devolvidas para enchimentos futuros. Quer dizer, ao contrário das garrafas clássicas de 600ml, as garrafas long neck não podem ser reutilizadas.

Em alguns estados brasileiros (como Paraná e Minas Gerais), há leis estaduais que tratam da obrigatoriedade da coleta, armazenamento e destinação final de embalagens de vidro não retornáveis modelo long neck (ou one way) pelos seus fabricantes, fornecedores e revendedores. Há registro também da existência de tais leis no âmbito municipal em alguns municípios brasileiros (a exemplo de Corumbá/MS e Belém/PA); entre outros estados e municípios.

Os malefícios causados pelas garrafas long neck é um tema urgente. E o descarte correto desse tipo de embalagem não pode nem deve ser negligenciado por estados e municípios. É preciso que estes elaborem e implementem leis que obriguem fabricantes, fornecedores, revendedores e consumidores de cerveja em garrafas long neck a coletar, armazenar e fazer a destinação final correta desses recipientes tão nocivos ao meio ambiente.

No entanto, o melhor mesmo seria elaborar e pôr em prática uma lei que proibisse a venda de bebidas nesse tipo de embalagem. É inadmissível que em pleno século XXI, e se tratando de resíduos tão nocivos ao meio ambiente, ainda existam empresas que não tenham um planejamento de descarte desse tipo de resíduos. Melhor dizendo, é surreal que neste século ainda existam empresas que produzam algo em larga escala sem se preocupar com os resíduos gerados.

domingo, 11 de agosto de 2024

Segurança on-line na escola

Roberto de Queiroz

Os estudantes de hoje estão tão imersos no ambiente on-line que não precisam mais aprender o que é a internet nem como usá-la. Mas, embora essa introdução ao universo da web já tenha sido estabelecida, é deveras relevante criar um protocolo de orientação para explicar como funciona a segurança na web e garantir a segurança on-line na escola.

A internet é uma ferramenta que fornece muitos recursos que tornam o processo de ensino e aprendizagem mais dinâmico e mais atrativo, todavia ela também tem um lado negativo. Seu uso excessivo e indiscriminado pode fazer com que os jovens usuários se comportem de forma agressiva, tenham dificuldade para concluir tarefas e percam o interesse pela escola.

Há vários recursos e estratégias que podem ser usados para tornar o acesso à internet mais seguro na escola. Uma estratégia educacional que, sem dúvida, ajudará a promover o controle de riscos para os envolvidos nesse contexto é a capacitação dos professores. 

É muito importante que os professores estejam preparados para lidar de forma transparente com questões de segurança no ambiente on-line. Essa nova geração de estudantes está crescendo com muita liberdade de acesso a ambientes digitais, tanto para buscar entretenimento quanto para obter informações sobre assuntos variados, e os professores precisam ser capazes de tirar suas dúvidas e orientá-la sobre o uso correto e seguro da internet.

A internet tem riscos, é verdade, porém não é inimiga da escola. Ela é uma aliada potencial e pode proporcionar melhoria nos índices de aprendizagem dos estudantes. No entanto, para que isso aconteça, é essencial que os professores estejam preparados para entender as dificuldades dos estudantes, esclarecer suas dúvidas e estabelecer um código de conduta para o uso inteligente e seguro dessa ferramenta.

(Artigo publicado no jornal Folha de Pernambuco, em 06/08/2024, Opinião, p. 13.)

quarta-feira, 24 de julho de 2024

A Educação Básica e a Era Digital: Alfabetização e Letramento na Cibercultura

Roberto de Queiroz

Neste livro, o autor busca discutir algumas implicações do uso de tecnologias digitais na educação básica, analisando concepções e práticas de alfabetização e letramento no contexto da cibercultura.

Para adquirir a obra, clique no link abaixo.

https://loja.editoradialetica.com/humanidades/a-educacao-basica-e-a-era-digital-alfabetizacao-e-letramento-na-cibercultura

sábado, 19 de agosto de 2023

Educação integral e formação humana

Roberto de Queiroz

Estou entre os autores que tiveram artigos selecionados para compor o livro “Educação integral: a formação humana em suas múltiplas dimensões”, publicado pela Secretaria Municipal de Educação do Ipojuca, em agosto de 2023, em conformidade com o Edital nº 06/2023.

Os artigos selecionados para compor este livro dialogam com quatro eixos temáticos: I – Formação Docente e Formação Humana; II – Tecnologias Educacionais; III – Projetos, Práticas e Saberes Docentes; IV – Políticas Educacionais e Currículo.

Meu artigo dialoga com o eixo III supramencionado e tem por título “Currículo e tecnologias digitais: interatividade e inovação no contexto da pandemia da Covid-19”. 

Parabenizo a comissão organizadora pela lisura do processo, pela condução eficiente deste e pela escolha assertiva da equipe técnico-cientifica.

Parabenizo também os demais autores pela boa vontade em disponibilizar seus artigos para que sejam compartilhados com outras pessoas.

E, por último, saliento que todos os autores são professores ativos da rede municipal do Ipojuca. Assim, eles não são meros expectadores do debate que vem sendo realizado em torno da educação, mas estão – como se diz popularmente – com a mão na massa.

Tudo isso faz com que o livro em tela configure um celeiro de produções de ideias e de conhecimentos.

domingo, 10 de outubro de 2021

“Maquiagem”, “maquilagem” ou “maquilhagem”?

O termo “maquilhagem” tem o étimo no francês “maquillage”. E, embora seja de uso corrente no português europeu, ele configura como verbete em dicionários de continentes distintos, a exemplo do Priberam (europeu) e do Dicio (latino-americano), em que é registrado como sinônimo de “maquiagem” e “maquilagem”.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

O valor da locução adverbial «de repente»: de tempo e/ou de modo

Na frase «De repente, o Inverno apareceu disfarçado de Primavera», a locução adverbial «De repente» é considerada de tempo, ou de modo?

Em primeiro lugar, importa sublinhar que, em casos como estes, em que existe mais do que uma possibilidade interpretativa para uma dada expressão, o contexto (linguístico ou extralinguístico) desempenha um papel fundamental para a emergência de um significado concreto. Ou seja, e como veremos adiante, a interpretação conferida à locução adverbial em causa vai depender, em grande medida, da globalidade do discurso ou das circunstâncias em que tal elemento comparece.

Isto não significa, naturalmente, que, dadas as condições necessárias, não seja possível reconhecer a saliência de cada um dos significados atribuídos à locução. Assim, numa frase como «O computador desligou-se de repente (= repentinamente/subitamente)», parece ser consensual que estamos perante uma leitura em que a locução «de repente» assume o valor de adverbial de modo, como a equivalência a formas como «repentinamente» ou «subitamente» nos sugere. Já numa sequência como «Primeiro, o João falou da sua viagem ao Brasil. Depois, a Maria contou a sua ida à Madeira. Em seguida, o Rui descreveu os quinze dias passados em Itália. De repente (= então/nesse momento/nessa altura), todos estavam a falar das suas férias», a interpretação como adverbial de tempo parece ser preferencial, na medida em que «de repente» assume valores próximos a expressões temporais como «então, nesse momento» ou «nessa altura».

O problema que se coloca com a frase que surge na questão formulada é que, na ausência de um contexto que possa desambiguar o seu significado, a expressão «de repente» pode assumir tanto um valor de modo quanto um valor de tempo. Por outras palavras, será necessário aceder a informações mais concretas sobre o contexto em que a frase é proferida para lhe conferir um significado preferencial. Vamos ilustrar este ponto em seguida.

Contexto 1: Dois falantes estão a conversar sobre um inverno que foi muito frio e chuvoso até ao dia 22 de fevereiro. No dia 23, porém, chega o sol, e as temperaturas sobem significativamente. Ao proferir a frase «De repente, o inverno apareceu disfarçado de primavera», o falante está a fazer corresponder a locução adverbial «de repente» a advérbios como repentinamente ou subitamente, o que significa que nos encontramos perante uma interpretação equivalente a um adverbial de modo.

Contexto 2: Dois falantes estão a conversar sobre um inverno em que se verificou uma antecipação do decorrer normal do desenvolvimento das condições naturais. Primeiro houve alguns dias de sol, depois as árvores começaram a ganhar folhas, e algumas plantas floriram. Ao proferir a frase «De repente, o inverno apareceu disfarçado de primavera», o falante parece estar a fazer corresponder a locução adverbial «de repente» a expressões temporais como «então», «nesse momento», «nessa altura», o que indicia que estamos perante uma interpretação em que a construção em causa recebe uma leitura que equivale preferencialmente à de um adverbial temporal.

FONTE: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Disponível em: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-valor-da-locucao-adverbial-de-repente-de-tempo-eou-de-modo/31118. Acesso em: 03 set. 2021.

sábado, 7 de agosto de 2021

Idílio

Roberto de Queiroz


Conforme os dicionários, o termo “idílio” (derivado do grego eidýllion), entre os gregos antigos, era atribuído a qualquer poema curto, de natureza descritiva, narrativa, dramática, épica ou lírica. Em sentido figurado, pode ser definido como sonho, fantasia ou sentimento amoroso. E, desse modo, pode tratar de temas como a poesia, os anseios da alma e o amor.

Mas eu não me limito aqui a fazer referência ao sentido dicionárico desse termo. Refiro-me, além disso, à obra “Idílio”, do escritor gaúcho Nelson Hoffmann (1939-2021), uma coletânea composta de crônicas minuciosamente selecionadas, ou seja, os textos que a compõem são nitidamente nutridos do apreço de seu autor.

Para meu contento, Hoffmann republicou nessa obra uma crônica intitulada “Sensibilidade”, na qual eu sou uma das personagens centrais. Essa crônica já havia sido publicada em “A arte de nascer das palavras” (EdiURI/Ledix, 2009, p. 55-61), também de autoria dele.

Hoje, vejo-a republicada em “Idílio” (EdiURI/Ledix, p. 15-19). E, conforme disse Hoffmann, no texto de abertura da obra, as crônicas ali publicadas foram, pela primeira vez, postas lado a lado, íntimas umas das outras, visto que todas tratam da mesma temática: a afetividade entre as pessoas.

Detalhe: a crônica “Sensibilidade” foi escrita por três mãos. Duas dessas mãos são de personagens – as minhas e as de Inês Hoffmann[1] –, porém de personagens reais, vivas, protagonistas. A terceira mão é a do artesão da palavra – do redator final da crônica –, alguém que é capaz de reinventar o cotidiano e registrá-lo segundo essa reinvenção, que, pelo fato de narrar em primeira pessoa e se incluir no evento narrado, também é personagem. No fim, nós três somos personagens!

De modo similar, tanto o conjunto de crônicas que compõem a obra “Idílio” quanto a crônica homônima que a intitula foram escritas por várias mãos. Mãos de pessoas que se respeitam e explicitam o bem-querer que sentem umas pelas outras!

[1] Inês Hoffmann: poeta e filha de Nelson Hoffmann.

(Crônica publicada no jornal O Nheçuano, Roque Gonzales, RS, jul./ ago. 2021, p. 3)