“Diário
da escrita” é o título do livro mais recente do escritor e crítico literário
gaúcho Nelson Hoffmann. E, como afirma o próprio autor, a obra é apenas um
ensaio de suas conversas via e-mail, e resulta da compilação de um único mês de
correspondências, as quais datam de um ano já distante.
Nesse
caso, pode-se dizer que a obra de Hoffmann é um livro do gênero e-mail? Não.
Trata-se de um livro de cartas, enviadas via e-mail, uma vez que (salvas as
exceções) os textos são longos e não obedecem à linguagem fluida e concisa do
e-mail. Assim, suas características estruturais, inclusive sua linguagem,
atendem aos padrões do gênero carta (menos fluidez/concisão da linguagem e
maior detalhamento dos fatos que o e-mail).
Ademais,
pode-se argumentar que, no livro de Hoffmann, o e-mail funciona como canal de
comunicação entre os interlocutores – por meio do qual as cartas são trocadas
entre eles –, e não como um gênero textual concretizado histórica e
socialmente. A tela do PC (ou Mac, Androide, iPad/iPhone, etc.), usado
por eles, por sua vez, funciona como portador textual, uma das facetas da era
digital, de que o autor se valeu muito bem.
Eu,
particularmente, gosto deveras do gênero carta. E o livro em tela conseguiu
manter ativo esse meu gostar. Principalmente, por se tratar de um livro de
cartas em que algumas delas são escritas pelo exímio prosador gaúcho Nelson
Hoffmann, um escritor cujos textos conseguem prender a atenção do leitor, do
início ao fim.
De
resto, valho-me de mais uma afirmação do autor, em que se lê: “A troca das
falas escritas mostra a grandeza das pessoas que falam.” E essa grandeza,
certamente, está nas entrelinhas do “Diário da escrita” de Nelson Hoffmann.
Basta ter sensibilidade para tocá-la.
(Resenha
publicada no Jornal do
Commercio, 08/04/2015, Opinião, p. 8)
