Translate

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Autores & Livros

Nelson Hoffmann e Inês Hoffmann


Roberto de Queiroz publicou livro que interessa, e muito, num mundo em que o livro perde terreno diariamente. O livro Leitura e escritura na escola: ensino e aprendizagem é uma abordagem consciente, séria e esclarecedora de quem é professor e trabalha com leitura em sala de aula. Basicamente, o livro é dividido em duas partes: objetivos e funções da leitura e o conhecimento prévio na leitura. Na primeira parte, pode-se observar [...] o “porquê”  e “para que” ler; na segunda parte, são comentados os pré-requisitos para uma boa leitura.

(Nelson Hoffmann e Inês Hoffmann. Autores & Livros. O Nheçuano, n. 21, mar./abr. 2014, p. 10)

Para adquirir esta obra, clique no link abaixo:

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ainda não perdemos a esperança

Francisco Miguel de Moura
Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras, Teresina-PI, e da IWA-Interntional Writers and Artists Association-EUA       

Diante de toda a análise procedida, lembro dos símbolos de nosso país, ainda felizmente falando o português abrasileirado. O primeiro deles o Hino Nacional, depois a bandeira. Somente no desprezo pelo saber, pela escola, pelo livro pode chegar a uma suposição de ter-se perdido o hábito de o Hino Nacional nas Escolas há muito, muito tempo. E, como sabemos que cantar infunde na criança alegria e paixão, nossos homens atuais têm um desprezo enorme por nossa história e até debocham dos antepassados, como se nada tivéssemos com ele.  Só somos brasileiros por ocasião de jogos de Copa de Mundo ou de outros torneios internacionais? O que é isto? Não há mais inspetor escolar (não há mais inspetor de nada), e eu lembro de quando uma dessas autoridades chegava às escolas: todos os alunos levantavam e batiam palmas, enquanto, de pé e em silêncio, esperavam a ordem dele para sentarem. Havia respeito. Hoje o respeito foi para o ar: virou moda os assaltos à mão armada, os danos ao patrimônio público, os assassinatos sem solução policial... Sinceramente, eis o que todos nós sentimos: a vida perdeu muito do seu valor. E é ou não este um  dos direitos fundamentais do homem? Por sinal, o primeiro, pois sem ele os outros não têm condição de existir.

Deixamos de falar sobre o trânsito – também a nossa Constituição do Estado reza que, nas escolas deve haver aulas de educação no trânsito. No trânsito transparece toda a educação (pra não dizer falta de educação) do brasileiro. Apesar de tirarem os documentos e aprenderem em pequenas aulas partes especiais do Código de Trânsito, agem como se, conhecendo a lei, tenham maior prazer de ignorá-la. E por que deixamos o problema apenas apontado? Porque tomaria todo o nosso tempo e não chegaríamos a tempo com nossa proposta de uma reforma da educação no Brasil, em profundidade e para ser comandado o programa por diversos governos, por diversas gerações para começar  a dar resultados. Escola para todos, a começar pelos pais – que estão muito precisados de noções do que é uma família e de que ela deve ser dirigida, educada,  seguida, amada – a família a célula mater da sociedade.

Para terminar, gostaria citar uma parte do artigo “O gargalo da educação básica no Brasil” (Folha de Pernambuco, 29/7/2013), de autoria de Roberto de Queiroz, dentro do qual transcreve estas palavras: “O prof. João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, [...] salienta a importância de se ter senso de realidade em relação aos programas de ensino antes de adotá-los (ou não). Os municípios precisam analisar  cuidadosamente os programas de ensino que aplicam, a adequação do material didático e os mecanismos de apoio ao professor. Mas principalmente parar de  atrapalhar a escola, criando e recriando programas.” Depois de citar seu colega, Roberto de Queiroz, professor da rede pública há mais de doze anos na educação básica, dá sua opinião sensata: “O problema é que os governantes não visam o alvo. Atiram aleatoriamente para todos os lados. Por que não ouvir os gestores, os coordenadores pedagógicos e os professores, a fim de saber qual programa se adéqua melhor à realidade dos estudantes? Ou por que não dar autonomia aos municípios para que eles construam seu próprio currículo pedagógico, em consonância com as características locais e as diretrizes nacionais?”

O que foi dito para os municípios também é válido para os Estados. Não é fácil construir e executar um programa de caráter nacional, mas que contemple as diferenças locais, dando independência a municípios e Estados para colaborarem nessa empresa que salvará o Brasil, certamente. Porém, programas complexos assim exigem tempo e continuidade da política, dentro da estrita democracia. Por isto, não haverá referendo, não haverá plebiscito, não haverá reforma política que sirvam enquanto não fizermos a reforma da educação, com paciência, saber e destinação, pois o Brasil tem muito para ser uma grandiosa Nação.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ideias para Ipojuca

Roberto de Queiroz

Em julho [...] [de 2013], participei do seminário “Fala, Ipojuca!”, realizado pela prefeitura municipal. O evento teve como foco dar vez e voz à população, a fim de que essa pudesse opinar sobre questões relacionadas à infraestrutura, saúde, educação, etc., e, por sua vez, apresentar sugestões de melhoria relativamente a esses setores.

Apresentei sugestões referentes aos três setores supramencionados. Mas aproveito este espaço para aduzir minha opinião relacionada à educação. Expus a ideia de que fosse construída uma biblioteca central com sede no município e outra exatamente igual em cada distrito, bem como que fosse construída uma biblioteca de menor porte em cada unidade escolar.

No tangente às bibliotecas centrais, sugeri que sejam redesenhados os modelos de bibliotecas existentes no município, com modificações nos conceitos físico e operacional. Tome-se como exemplo a instalação de equipamentos tecnológicos, climatização, área para convívio com as famílias, espaços infantis, auditórios, ampliação e atualização do acervo e contratação de bibliotecários.

O modelo sugerido permitirá que se utilize a biblioteca como um espaço de convivência na comunidade e como um meio tirar os jovens da ociosidade. Igualmente, permitirá que se utilizem os livros como um meio de promoção de noção de cidadania, cultura e lazer. E, desse modo, o modelo em comentário pode funcionar como uma forma plausível de incentivo à prática de leitura.

P. S.: Na ocasião, alguém deu a ideia da volta da Fliporto para Ipojuca. Resposta: “Isso não é possível.” Ora, a sigla Fliporto antes significava Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, agora significa Festa Literária Internacional de Pernambuco. Nada a ver. Não deveria ser Flipe? Assim, a Fliporto poderia voltar para Porto. Mas, já que “isso não é possível”, sugiro então que se crie a Flipojuca (Festa Literária de Ipojuca) ou a Fliipojuca (Festa Literária Internacional de Ipojuca).

(Texto publicado na Folha de Pernambuco, 04/12/2013, Opinião, p. 8)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O significado oculto dos contos de fadas

Roberto de Queiroz


Os contos de fadas (ou contos maravilhosos) são uma variação do conto popular (ou fábula). Constituem-se de narrativas curtas cujas histórias giram em torno de uma temática central e cujo objetivo é transmitir conhecimentos e valores culturais de uma geração a outra. Oriundos da tradição oral, transmitem a ideia de que o herói (ou heroína) tem de enfrentar grandes obstáculos antes de triunfar contra o mal.

São, em geral, iniciados pela expressão “era uma vez”, a fim de alertar o leitor sobre o fato de o tema narrado não se referir ao tempo e espaço presentes. Comportam personagens e situações que fazem parte do universo individual e cotidiano do ser humano (conflitos, medos e sonhos). Assim, a rivalidade entre gerações, a convivência entre crianças e adultos, a transitoriedade da vida (nascimento, crescimento, velhice e morte) e alguns sentimentos individuais (amor, ódio e inveja) são apresentados como uma forma de oferecer explicação para os conflitos do mundo em que vivemos e como um meio de criar formas de lidar com eles.

Há mais de um século, os contos de fadas e seu significado oculto têm sido estudados por seguidores de correntes diferentes da psicologia. Sheldon Cashdan, por exemplo, afirma que esses gêneros textuais abordam psicodramas da infância, espelhando lutas reais. Quer dizer, “embora o atrativo inicial de um conto de fadas possa estar em sua capacidade de encantar e entreter, seu valor duradouro reside no poder de ajudar as crianças a lidar com os conflitos internos que elas enfrentam no processo de crescimento” (Os 7 pecados capitais nos contos de fadas).

O autor prossegue dizendo que cada um dos principais contos de fadas é único, no sentido em que trata de uma predisposição falha ou doentia do eu. Ou seja, após a leitura da expressão “era uma vez”, descobrimos, de imediato, que esses textos falam de vaidade, gula, inveja, luxúria, hipocrisia, avareza ou preguiça – os “sete pecados capitais da infância”. E, embora um determinado conto de fadas possa tratar de mais de um “pecado”, um deles, geralmente, ocupa o centro da trama.

De resto, Cashdan salienta: “O modo pelo qual os contos de fadas resolvem esses conflitos é oferecendo às crianças um palco onde elas podem representar seus conflitos interiores. As crianças, quando ouvem um conto de fadas, projetam inconscientemente partes delas mesmas em várias personagens da história, usando-as como repositórios psicológicos para elementos contraditórios do eu.”

(Texto publicado na Folha de Pernambuco, 11/11/2013, Opinião, p. 12)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Leitura e escritura na escola: ensino e aprendizagem

Roberto de Queiroz

“O leitor encontrará nesse trabalho uma gama variada de tópicos que incluem os objetivos e as funções da leitura, o conhecimento prévio do leitor e algumas sugestões pedagógicas que o autor oferece aos que se interessam pelo desenvolvimento dessas habilidades de recepção e produção tão importantes no processo educativo.”

Araken Guedes Barbosa, Ph.D.

Professor do Departamento de Letras da UFPE


Para adquirir esta obra, clique no link abaixo:


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O gargalo da educação básica no Brasil

Roberto de Queiroz


A maioria dos estudantes brasileiros dos níveis fundamental e médio é reprovada em avaliações externas. Isso é fato veiculado pela mídia. Há quem afirme que, nesse caso, a responsabilidade é do professor. Em se tratando de professor que trabalhe em escola que lhe ofereça todo um suporte infraestrutural e pedagógico, essa afirmação pode ser verdadeira. Caso contrário, ela pode não fazer sentido, ou seja, a responsabilidade deixa de recair apenas sobre o professor.

É importante ter senso de realidade em relação aos programas de ensino antes de adotá-los (ou não). Os municípios precisam analisar cuidadosamente os programas de ensino que aplicam, a adequação do material didático e os mecanismos de apoio ao professor. “Mas, principalmente, parar de atrapalhar a escola criando e recriando programas” (João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto).

Como professor da rede pública, há mais de doze anos na educação básica, convivo com essa enxurrada de programas “criados” e “recriados”, aos quais João Batista se refere. Muitos deles com metodologias que se antagonizam, como é o caso do Alfa e Beto (usa o método fônico e é indicado para o pré-escolar I e II) e o Alfabetizar com Sucesso (usa o método silábico e é indicado para os anos iniciais do ensino fundamental), adotados por alguns municípios de Pernambuco. Há casos em que, paralelamente aos programas sobreditos, acrescenta-se o programa Via Escola (usa o método global e é indicado para os anos iniciais do ensino fundamental).

Não defendo a tese de que os métodos usados por esse ou aquele programa sejam ineficientes. O problema é que os governantes não visam o alvo. Atiram aleatoriamente para todos os lados. Por que não ouvir os gestores, os coordenadores pedagógicos e os professores, a fim de saber qual programa se adéqua melhor à realidade dos estudantes? Ou por que não dar autonomia aos municípios para que eles construam seus próprios currículos pedagógicos, em consonância com as características locais e as diretrizes nacionais?

Afinal, passou da hora de tomar medidas enérgicas aptas a controlar a qualidade do ensino público brasileiro. Para tanto, impõe-se abandonar o faz de conta e olhar de frente o gargalo da educação básica: infraestrutura precária, material didático deficitário e enxurrada de programas com metodologias antagônicas. Quer dizer, sem dar condições ao professor para desempenhar sua função, ninguém pode responsabilizá-lo pelo mau desempenho da maioria dos estudantes dos níveis fundamental e médio em avaliações externas.

(Artigo publicado na Folha de Pernambuco, 29/07/2013, Opinião, p. 10)

terça-feira, 9 de julho de 2013

A nudez do poeta

Admmauro Gommes*



O poema não é máscara que esconda a face de ninguém, mesmo que se procure ficar por trás das palavras, há de ser revelado nas entrelinhas, um pouco de quem verseja. A obra A nudez de escrever, de Roberto de Queiroz, provoca este entendimento. O autor sugere que o texto o denuncia, mostrando como se é internamente. Mas quando isso acontece, faz-se, como é de se esperar, pela força das metáforas, o que não diminui a veracidade, pois no que se vê percebe-se a existência de certas verdades, ou meias-verdades (que muda tudo).

Mesmo assim, ele se expõe diante do espelho das letras e surge quase nu de seu sentimento, transparente, mas não todo exposto, como defendem os versos do livro citado (p. 39): “Escrever é se despir/ (si próprio e o sentimento)/ daquilo que há no âmago (...) que se expõem ao grafar.” Tudo vai muito bem, mas quando ele introduz a palavra “âmago,” carregada de ambiguidade, veste-se de novo em seu manto opaco, pois “âmago” oculta, indecifra qualquer sentimento, não permitindo que se descubra a límpida realidade. Como quem quer e não quer, finge querer revelar-se, mas, é “fingimento deveras.”

Ainda que se deixe ocultar entre versos meio obscuros (p. 46): “circunspeto à candura dos lorpas,/ atreve-se a vir à tona o ubíquo,” o poeta revela sua posição, dentro de uma crítica visão de mundo, bem como o domínio que exerce sobre a linguagem figurada, mas reveladora de identidades. É claro que o leitor atento sabe que isso é um jogo de esconde-esconde e ver um poeta nu, nos termos em que estamos tratando, é algo que beira a impossibilidade. É que o poema, na condição de reflexo do espelho interno do escritor, traduz imagens distorcidas, modificadas, embora verdadeiras na sua essência, no âmago, por assim dizer. Sem controvérsias, todos manipulam a imagem que publicam, nunca negando a verdadeira face, mas investindo no disfarce da própria realidade vivida ou desejada.

Com isso, pode-se afirmar que o poeta, que é um inventor/ator por natureza, não se permite aparecer de cara limpa em nenhum de seus versos, principalmente nas obras-primas, onde a invenção é regra. Porquanto, há um jogo de ideias e sentidos figurados para guardar o que só ele sabe e a ninguém diz. Por assim dizer, a mimese, que é a imitação por palavras, na literatura, não se configura em copiar a realidade dos fatos, mas moldá-la ao cunho artístico, exigindo que o escritor se vista sempre de uma roupa pelo menos linguística, invisível aos olhos comuns e sabe que não se pode despir completamente, porque possui alguma caixinha de segredo que não se abre. Há sempre um tapa-olho nas partes mais íntimas da poesia.

Para aumentar o disfarce, o autor dialoga com outros poetas, quase que inconscientemente, mas descobre o caminho e provoca a intertextualidade, bem ao gosto dos modernistas, como se atesta em “Uma parte de mim é permanente/ outra parte se sabe de repente” de Ferreira Gullar e que Roberto de Queiroz (p. 63) atualiza como “Um pedaço de mim é permanente/ outro pedaço surge de repente”. De quem trata “essa parte?” De Gullar ou de Queiroz? O certo é que existe um elemento chamado eu-lírico que anula a verdade de ambos e se pronuncia como uma voz dentro do poema que não pertence mais a nudez dos autores, mas a dos leitores quando percebem que a verdade do escritor é também a sua. E quem aparece nu, nessa história: o autor ou o leitor?

Na verdade, só o poeta sabe onde “os poemas estão prontos sem estar” (p. 61) e isso Roberto de Queiroz descobriu há muito tempo, desde seu primeiro livro publicado. Agora tenta desnudar-se, mas ainda com muito recato, porque não se mostra por inteiro, mas o que se permite revelar aponta para a grandeza de uma poesia que transita com facilidade entre o verso branco e o tradicional.

Vamos ver se da próxima vez ele tira a roupa (sentimento) por completo e se revela nos versos como em carta-aberta aos leitores. Du-vi-de-ó-dó!

(Texto publicado no Diario de Pernambuco, 11/07/2013, Opinião, p. B9 e na Folha de Pernambuco, 11/07/2013, Cidadania, p. 4)

* Admmauro Gommes é poeta e professor de Teoria Literária da FAMASUL (Palmares/PE)