“Leitura e escrita na escola: ensino e aprendizagem”
(ed. rev. e ampliada – editora Multifoco, 2016) é o quinto livro publicado por Roberto de Queiroz. A obra tem
orelha de Iolita Campos (FAMASUL-PE), prefácio de Araken Guedes Barbosa (UFPE) e posfácio de Nelly Carvalho (UFPE). O primeiro e o segundo capítulos reúnem questões
teóricas, de fontes variadas, sobre os objetivos e funções da leitura, os
níveis de conhecimento utilizados mediante o ato de ler e outras questões
referentes à textualidade, necessárias para o desenvolvimento dos próximos
tópicos. O terceiro e o quarto capítulos discorrem sobre o papel dos elementos
de comunicação e das funções da linguagem no processo de recepção e produção de
textos. O quinto capítulo aborda o discurso no texto ficcional escrito. O sexto
e último capítulo trata de atividades de leitura e escrita realizadas no ensino
fundamental e médio.
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sábado, 12 de novembro de 2016
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Solilóquio
Não
sou realista nem sou normal. Ser realista não significa ser normal. Ser
realista (de realismo + -ista) é prender-se fielmente ao que é real,
verdadeiro. Ser normal (do latim normale)
é seguir determinada norma, natural ou habitual. Não sou futurista. O futurismo
de Marinetti, conquanto não fosse normal, voltava-se exclusivamente para o
futuro, era antagônico à moral e primava pela exaltação à guerra. Havia nele
algo utópico e paradoxal.
Não
sou utopista. Não concebo nem defendo utopias. Não sou dadaísta. O dadaísmo de
Tzara não possuía cérebro: não havia nele passado nem futuro, havia apenas a
guerra, o caos, o nada. Não sou cubista. O cubismo era demasiado irracional,
desintegrado da realidade, instantâneo e anti-intelectualista, embora fosse
carregado de certa dose de humor. Não sou adepto do surrealismo. Só os loucos
rejeitam as concepções lógicas do cérebro e se apegam somente ao inconsciente.
Mas,
já dizia doutora Nise da Silveira, “os normais são burros”. Assim, há espaço
suficiente para todos (para os sãos e para os loucos). Inclusive, para os que
leem e não entendem (analfabetos funcionais) e os que veem e não enxergam
(cegos funcionais). E, não obstante eu seja não realista, crítico do futurismo,
dadaísmo, cubismo e surrealismo, vejo nessas vanguardas artístico-europeias,
principalmente nas duas últimas, uma grande evolução criadora. Afinal, foram
tais manifestações artísticas que revolucionaram o cenário cultural europeu e
mundial do século 20. E, apenas porque não sou realista nem sou normal,
reconheço o valor de toda e qualquer arte.
Se
os normais são burros ou não, não estou certo disso, mas eles, obviamente, não
cheiram nem fedem.
(Texto
publicado na Folha de Pernambuco,
25/10/2016, Opinião, p. 4)
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Lançamento do livro “Leitura e escrita na escola: ensino e aprendizagem”
Aproveito este espaço para
externar meus agradecimentos a meus familiares, parentes, amigos, colegas de
profissão e estudantes que prestigiaram, na noite de 20/10/2016, o lançamento
de meu livro “LEITURA E ESCRITA NA ESCOLA: ENSINO E APRENDIZAGEM” (edição revista
e ampliada – editora Multifoco, 2016). A utilização deste espaço se deve ao
fato de não ser possível eu agradecer a cada um de modo particular.
domingo, 18 de setembro de 2016
Conversa sobre leitura e escrita
Roberto de Queiroz
A expressão acima faz alusão ao assunto abordado em meu livro mais
recente, cujo título é Leitura e
escrita na escola: ensino e aprendizagem (edição revista e ampliada – editora Multifoco, 2016). Esse
livro teve sua 1ª edição em 2013 e continha a penas dois capítulos.
Recentemente, resolvi revisá-lo e ampliá-lo. Assim, nessa nova edição, fiz a
revisão de alguns conceitos e referências, bem como o acréscimo de quatro novos
capítulos. Agora, são seis no total.
O primeiro e o segundo
capítulos reúnem questões teóricas, de fontes variadas, sobre os objetivos
e funções da leitura, os níveis de conhecimento utilizados mediante o ato
de ler e outras questões referentes à textualidade, necessárias para o desenvolvimento
dos próximos tópicos. O terceiro e o quarto capítulos discorrem sobre o
papel dos elementos de comunicação e das funções da linguagem no processo
de recepção e produção de textos. O quinto capítulo aborda o discurso no
texto ficcional escrito. O sexto e último capítulo trata de atividades de
leitura e escrita realizadas no ensino fundamental e médio.
Prosseguido com essa
conversa, compartilho com quem ainda não leu a obra em apreço a opinião de quem
já a leu. No dizer de Iolita Campos (ex-professora
de Linguística da FAMASUL-PE), “esta nova
edição [...] traz para o leitor uma obra de suma importância para os estudiosos
e usuários da língua materna enquanto instrumento de comunicação e interação.
Com ênfase na leitura e produção de textos, o autor procura contribuir para a
formação de leitores e escritores a partir da sala de aula, na relação
professor/aluno, valorizando a bagagem cultural que o estudante possui e o
constante estudo e reflexão que o educador pratica”.
Araken Guedes Barbosa (professor do Departamento de Letras da UFPE)
afirma que “o leitor encontrará nesse trabalho uma gama variada de tópicos
que incluem os objetivos e as funções da leitura, o conhecimento prévio do
leitor e algumas sugestões pedagógicas que o autor oferece aos que se
interessam pelo desenvolvimento dessas habilidades de recepção e produção tão
importantes no processo educativo”.
Na
opinião de Admmauro Gommes (professor do Departamento
de Letras da FAMASUL-PE), no tangente ao ensino de
leitura e escrita, a obra
“aponta uma falha que distorce os encaminhamentos oriundos dos tantos encontros
pedagógicos que acontecem no âmbito das formações continuadas nas redes
públicas de ensino: um evidente afastamento entre a teoria e a prática”.
Para
Nelly Carvalho (professora da
Pós-Graduação em Letras da UFPE), não
existe uma fórmula mágica nem única para ensinar a ler e escrever. “Cada
professor deve buscar o caminho, de acordo com as características suas e da
turma que leciona. É esse caminho que o professor Roberto de Queiroz [...]
procura encontrar e construir com seu livro Leitura e escrita na escola: ensino e
aprendizagem. [...] A sua leitura vale como uma forma de mostrar
caminhos já trilhados para quem ainda não encontrou os seus”.
(Texto publicado na Folha de
Pernambuco,12/09/2016, Opinião, p. 7)
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
O novo acordo ortográfico
Roberto de Queiroz
O texto oficial do novo Acordo
Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de
1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde,
Guiné-Bissau, Moçambique e, em 2002, por Timor-Leste. Foi aprovado no Brasil
pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995, e entrou em vigor a
partir de 1º de janeiro de 2016. Está organizado em 21 bases e apenas 4 delas
não sofreram alterações. Ei-las: “(ii) uso do h”, “(iii) grafemas
consonânticos”, “(iv) sequências consonânticas” e “(vi) vogais nasais”. Todas
as demais bases foram alteradas.
Todavia, as alterações introduzidas na
ortografia da Língua Portuguesa, pelo atual acordo ortográfico, parecem-me mais
político-comerciais que linguísticas. Elas pouco têm a ver com o modo de
escrever das pessoas nativas dos países que aderiram a tal acordo. Por outro
lado, as obras publicadas nesses países terão uma escrita similar, o que potencializará
sua capacidade de difusão e, como consequência, o número de obras vendidas por
eles será ampliado. Além disso, a similaridade em comentário pode dar
credibilidade à Língua Portuguesa, tornando-a oficial perante a comunidade
internacional, e ela pode tornar-se oficial no rol de línguas da Organização das Nações
Unidas (ONU).
Por fim, vale ressaltar que o acordo em
referência é apenas ortográfico, ou seja, limita-se à língua escrita. Não afeta
nenhum aspecto da língua falada, nem elimina por completo as diferenças de
ortografia observadas nos países em tela, que usam a Língua Portuguesa como
idioma oficial. Trata-se de um pequeno passo intencional em direção à
unificação da língua escrita usada por eles. O texto oficial desse acordo,
porém, é complexo em alguns aspectos. Um deles é o uso do hífen. Uma rápida
consulta não garante ao consulente a compreensão imediata do que ali é
preconizado.
(Artigo publicado no Diario de Pernambuco, 18/02/2016, Opinião, p. A11)
sábado, 16 de janeiro de 2016
Água para o sertão
Roberto de Queiroz
![]() |
| Reprodução da internet / www.mgovbrasil.com.br |
Num
tempo em que “ternura” é tudo e é época de seca no sertão, conta-se aqui uma
história genuinamente moral sobre a utilidade da primeira amoldada sobre a
segunda.
O
“cortês” federal lança os olhos em torno do céu (a brancura das nuvens está-se
acinzentando):
– Espera
aí, vai chover?
O
“cortês” estadual e o municipal entreolham-se preocupados...
O
“cortês” federal, mais que depressa, procura comunicar-se com São Pedro:
– Vai
chover no sertão? – quer saber ele.
São
Pedro sorri:
–
Sossega, meu amigo. Este ano, durante muito tempo, vai chover no sertão.
– Este
ano? – indaga o “cortês” federal. – A quem vou aferir “civilidade”?
São
Pedro então percebe a preocupação daquele homem e, abruptamente, retruca:
– Quanto
a isso, não sei. Mas, daqui a pouco, eu e o anjo acólito vamos abrir as
válvulas das nuvens e liberar a chuva. Não quer ir conosco? A chuva este ano
vai trazer muitas maravilhas ao sertão. Ajudando-nos, irrigando-o, já está
fazendo sua parte.
Leve
aceno de cabeça e (entre os dentes):
–
“Obrigado” – é resposta do “cortês” federal.
São
Pedro coça a cabeça. Como fazê-lo mudar de atitude?
Porém,
antes mesmo de São Pedro concluir seu raciocínio, chegam o “cortês” estadual e
o municipal.
Está
formada a discussão.
São
Pedro observa tudo de longe.
Um deles
convida São Pedro para aderir a seu partido e faz-lhe uma proposta...
– Não dá
para ouvir isso! – exclama São Pedro. – Vou expulsá-los daqui!
Eles
protestam durante a expulsão.
E São
Pedro, sem nenhum interesse, juntamente com o anjo acólito, abre as válvulas
das nuvens e manda chuva ao sertão.
(Crônica publicada no jornal O Nheçuano, Roque Gonzales, RS, nov./
dez. 2015, p. 5)
sábado, 12 de dezembro de 2015
Os sete monstros de Camela
Texto produzido e ilustrado por estudantes do 5º
ano da escola Municipal Agro Urbana, localizada no distrito Camela, município
de Ipojuca/PE, sob orientação do professor Roberto de Queiroz. Tanto o texto
quanto a ilustração em apreço resultam de um concurso que envolveu diferentes
gêneros textuais e contemplou estudantes de toda a rede municipal de Ipojuca
(da pré-escola ao 9º ano do ensino fundamental). Ambos foram aprovados pela
comissão organizadora do certame e integram uma obra coletiva cujo título é “Ipojuca sob o olhar dos estudantes” (Imeph,
2015)*
Em uma noite de lua cheia, em um vilarejo chamado Camela, uma bruxa fazia leite para seus sete gatos. Sem que percebesse, sua verruga caiu dentro do leite. Depois do leite pronto, a bruxa o colocou em um pires para os gatos.
Mas o fato é que um mendigo observara a
bruxa enquanto ela colocava o leite para os gatos. Assim, quando a bruxa entrou
em sua casa, o mendigo atravessou a rua, chegou à casa dela e bebeu o leite.
Depois que o mendigo bebeu o leite,
aconteceu um feitiço: ele se transformou em um bruxo muito malvado e começou a
fazer maldade com as pessoas.
Após sete dias, o bruxo se transformou
em leite de novo, então os gatos beberam o bruxo leitoso. Depois que beberam o
bruxo, cada um dos sete gatos se transformou em um monstro voador (com cara de
leão e rabo de dragão) que soltava fogo pela boca e passaram a aterrorizar os
moradores.
Os sete monstros foram abatidos a tiros
de rifles por sete caçadores, mas reza a lenda que até hoje assombram as
pessoas em noite de lua cheia.
*(SILVA, Ludmilla Mendonça da Silva [texto]; MACEDO, Cleverson
Divi de Barros [ilustração]. Os sete monstros de Camela. In: Ipojuca sob o olhar dos estudantes (obra
coletiva). Fortaleza: Imeph, 2015, p. 34)
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